No instante em que a lua rubra surgiu no céu, todos no mundo enlouqueceram. Todos, exceto eu.
No terceiro ano antes de Cristo, durante o reinado do Imperador Ai da dinastia Han, uma grande seca assolou o império. A leste do desfiladeiro de Hangu, manifestaram-se eventos misteriosos que mergulharam o povo em pânico coletivo. Os camponeses abandonaram os campos e as enxadas, empunhando apenas hastes de cereais, às quais chamavam de “cálculos da Rainha Mãe do Oeste”, insistindo que deviam ser entregues ao palácio imperial. Alguns andavam com os cabelos em desalinho, outros de braços nus e pés descalços, vagueando noite e dia pelos caminhos, estradas e campos, transmitindo de mão em mão aquelas relíquias. Por toda parte, as autoridades tentaram prender, reprimir ou punir os envolvidos, mas em vão. Por fim, milhares de caules e folhas de cereais, atravessando vinte e seis províncias e feudos, chegaram à capital e foram depositados diante do Imperador Ai.
Dali em diante, durante muitos meses, o povo entoou cânticos e dançou nos becos e campos, celebrando e rendendo oferendas à Rainha Mãe do Oeste, até que, no outono, despertaram como de um longo sonho.
—— Volume 34 dos “Registros Completos para a Administração do Mundo”.
No ano de 1518, na França, na cidade de Estrasburgo, irrompeu a chamada “Peste da Dança”. Tudo começou quando uma mulher, subitamente, irrompeu em frenética dança no meio da rua, atraindo a atenção dos transeuntes. Um a um, outros se juntaram a ela, e a dança prosseguiu noite adentro, ininterruptamente. Passado um dia, já eram trinta e quatro os que dançavam; ao terceiro dia, o número chegava a mais de quatrocentos. As autoridades locai