No início de 1997, Cao Xuan, cuja memória perduraria entre experientes editores de entretenimento nas gerações vindouras, participou da última adaptação dos Quatro Grandes Clássicos da CCTV, "Às Margens do Rio". Assim nasceu o mais belo Senhor Ximen da história...
1997, fevereiro – Base Cinematográfica de Xinwu
Ao som do grito do diretor no set de “Os Marginais da Água”, a tarefa de filmagem do dia chegou ao fim e toda a equipe se recolheu. Procurando um refúgio contra o vento, Cao Xuan despiu a fina indumentária de soldado da dinastia Song. Mal teve tempo de vestir o pesado sobretudo militar quando uma sequência de espirros irrompeu, incontrolável.
Zhang Chong, seu colega de quarto, ocupado em descalçar as botas, reparou no rosto avermelhado de Cao Xuan e, prontamente, tomou-lhe o traje das mãos.
— Deixa que eu devolvo o figurino para o figurino, você está com febre; melhor voltar e descansar.
Cao Xuan balançou a cabeça atordoada, sentindo-a pesada e enevoada, mas não contestou. Agradeceu, entregou-lhe os pertences e afastou-se do set em direção ao dormitório.
De volta ao quarto, Cao Xuan pediu ao conterrâneo do quarto vizinho um pacote de banlangen, dissolveu-o em água quente e tomou, deitando-se em seguida, bem enroscado no cobertor e com o sobretudo por cima, tentando, entre o repouso e o calor, suar a doença para fora do corpo.
Logo adormeceu, mergulhando num sonho longo, longuíssimo.
No sonho, viu metade da vida de outro “Cao Xuan”.
No início, aquela versão de “Cao Xuan” pouco diferia da sua própria história: aos dezoito anos, fracassara no vestibular e, levado por parentes, deixara a cidade natal, Zao, na província de Lu, para buscar trabalho na capital.
Após alguns meses carregando tijolos numa obra, por um acaso do destino, convidaram-no a fazer figuração — e ali se lh