Travessia do Qi Yang

Travessia do Qi Yang

Autor: Cantar e seguir com o vento

- Xue Ming, a “escravizada do escritório”, foi arremessada por um motorista embriagado a caminho de casa e morreu na hora. Quando abriu os olhos de novo, havia à sua frente um jovem de aspecto de estudioso que lhe disse: “Chixia, quando você recuperar as energias, nós partimos.” Xue Ming ainda se perguntava como é que tinha passado a se chamar Yan, e perguntou: “Quem é você?” O rapaz respondeu: “Sou Ning Caichen.” Um frio lhe subiu pelos pés, e só depois de confirmar várias vezes percebeu que, após morrer, havia se transportado para o mundo de *Liaozhai*, e que, pelo que ouviu de Ning Caichen, parecia chamar-se Yan Chixia. Ela seguiu com Ning Caichen, e logo adiante viu uma pagoda imponente. Ning Caichen, feliz, quis entrar imediatamente, mas Xue Ming deu um sobressalto e limpou o suor frio: “Esse templo não parece muito auspicioso.” Como Xue Ming achou que, ao “encarnar” como Yan Chixia, mesmo sem dominar técnicas de exorcismo deveria ter alguma relíquia útil — afinal, na obra original havia uma espada extremamente poderosa — ela acreditou que estaria mais preparada. Mais tarde percebeu que tinha superestimado a própria situação: na primeira noite após entrar no templo, foi aterrorizada por yakshas, correndo sem parar, acabou entrando no fundo do salão e encontrou ali uma presença: um jovem fantasma chamado Yuhé, de aparência incrivelmente bela. Os outros yakshas do templo até pareciam temê-lo, e ninguém ousava perturbá-lo. Depois de quase morrer várias vezes do lado de fora, Xue Ming, exausta e sem saída, decidiu ir direto ao ponto: fez uma barganha com Yuhé para ficar naquela casa em troca de fornecer um pouco de yang todos os dias. Yuhé ficou a observá-la em silêncio durante muito tempo e, enfim, respondeu “sim”. A partir dali, o fantasma passou a abraçá-la, beijá-la e sugar-lhe o yang; sua energia vital despencou rápido, a ponto de ela acabar precisando de bengala para andar. Percebendo que, se continuasse assim, logo morreria, resolveu encerrar o acordo unilateralmente. Ao perceber isso, Yuhé mostrou sua forma verdadeira, agarrou-a e a levou de volta para a cama: “Não se preocupe, eu só te passo um pouco de yang.” Xue Ming ficou atônita: “Espera… um fantasma homem como você, de onde tiraria yang?” - Yan Yuhé, nome de cortesia Chixia. Por ordem do mestre, desceu da montanha para prender a pequena irmã de seita que havia desertado; sabendo que ela entraria no templo, esperou lá antecipadamente. Ele pensava em recuperar os tesouros da seita depois que ela morresse sob as mãos de demônios, mas não esperava que essa irmãzinha, ao invadir tudo gritando e em meio ao caos, não só não o reconhecesse como o tomasse por um fantasma homem e lhe oferecesse de bom grado seu yang. Ao ver os olhos dela, cristalinos como jade, Yan Yuhé mudou de ideia e assentiu. 【Covarde com medo de morrer x cão malicioso que se empolga ao ver uma mulher】 【Uma história sobre amor à primeira vista, castidade de ambos, final feliz】 【O pano de fundo é baseado em “Liaozhai Zhiyi” de Pu Songling, em “Nie Xiaoqian”, mas com muitas premissas próprias. Texto feito só por diversão. Os perfis dos personagens estão definidos; se não gostar, não leia.】

Travessia do Qi Yang

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61capítulos Capítulo

Capítulo 1

Quando ainda estava na escola, por muito tempo Xuê Ming passou por aquela fase adolescente em que sempre repetia: “A vida é preciosa, o amor vale ainda mais, mas pela liberdade ambos podem ser deixados de lado.”
Só que, no instante em que foi arremessada por um motorista bêbado, ela pensou: “Droga, céus, me dê mais quinhentos anos!”
No fim das contas, era verdade: a vida é mesmo o mais precioso. Sem ela, tudo se desfaz em nada — de que adiantam liberdade ou amor se nem sequer se tem uma bicicleta?
Xuê Ming ainda estava indignada quando ouviu uma voz ao seu lado.
“Irmão Chixia, irmão Chixia...”
Abrindo os olhos subitamente, Xuê Ming levou um susto com a pessoa à sua frente e gritou sem querer. O homem também se assustou, recuou dois passos e, aflito, perguntou: “Irmão Chixia, o que houve? Sonhou com algum pesadelo?”
Ela apalpou o próprio corpo, ainda atordoada. A última coisa de que se lembrava era de ter sido lançada metros longe por um carro em alta velocidade, com todos os ossos doendo como se tivessem sido pulverizados, uma dor sufocante. Agora, no entanto, estava inteira, sem nenhum arranhão, nem dor alguma. Xuê Ming se levantou de um salto e percebeu que vestia uma longa veste azul, com mangas presas onde se viam inscrições misteriosas — uma indumentária bastante estranha.
Ela era uma jovem recém-formada, já inserida no mercado de trabalho, sempre apressada para bater ponto às oito, atolada em horas extras para ganhar um salário miserável. Hesitava até para se dar o luxo de uma boa refeição, quanto mais gastar com hobbies caros com

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