A respiração da besta marinha das profundezas gera tempestades incessantes... Os passos do gigante de magma destroem cidades inteiras... Demônios do abismo tentam invadir este mundo... E as divindades descem à terra, caminhando entre os homens para espalhar sua luz... No entanto, todo o mundo está sob o domínio do Império Longshan da nação Xia, um império humano onde magos eruditos se dedicam por séculos em suas torres e cavaleiros patrulham céus, terras e mares... Na província de Anyang, dentro do império, existe um pequeno e insignificante feudo nobre chamado Domínio Neve-de-Águia! É aqui que a história começa! ****** Após "Crônicas do Deserto Selvagem", "Devorando o Universo", "Os Nove Caldeirões", "Rolo do Dragão", "Mudança Estelar", "Ponta de Centímetro" e "A Lenda do Pico Estelar", esta é a oitava obra de Fan Qie!
Ano 9616 do Calendário de Longshan, inverno.
Província de Anyang, condado de Qinghe, cidade de Yishui.
Um garoto de lábios rubros e dentes brancos, com cerca de oito anos, vestindo um elegante casaco branco de pele, carregava às costas um aljava de lanças e pulava agilmente entre as árvores da floresta. Em sua mão direita segurava uma curta lança de cabo negro, perseguindo um cervo selvagem que fugia apavorado à frente, enquanto a neve caía, sacudida das folhas das árvores ao redor.
— Toma! —
No meio do salto, o garoto ergueu a lança curta, inclinou o corpo para trás, transmitiu a força do abdômen e dos quadris para o braço direito e lançou-a com vigor!
A lança cortou o ar, roçando algumas folhas, atravessando mais de trinta metros até passar de raspão pelo dorso do cervo, deixando apenas um talho ensanguentado antes de se fincar profundamente na neve. O cervo, ainda mais assustado, correu desesperado em direção ao interior da floresta, prestes a sumir de vista.
De repente, ouviu-se um “zunido”. Uma pedra voou como um raio pela floresta, cruzando mais de cem metros, atravessando o tronco grosso de uma árvore e penetrando com precisão no crânio do cervo. Nem mesmo a ossada resistente do animal pôde resistir; cambaleou ainda por uns dez metros antes de cair morto, fazendo a neve despencar dos galhos das árvores ao redor.
— Pai — disse o garoto, virando-se e falando com um misto de resignação —, não precisava intervir, eu quase acertei ele.
— Se eu não ajudasse, o cervo teria fugido. Tua pontaria com a lança, correndo em alta