Um garoto tímido, covarde e desprovido de qualquer ambição, ainda assim insiste em controlar seu corpo trêmulo; mesmo com lágrimas nos olhos, ergue o peito para proteger tudo aquilo que lhe é caro. O que o ajuda a sobreviver são os motores de energia luminosa deixados por seus inimigos. Ao seu lado em toda a jornada está uma criatura parasita, portadora de vinte e quatro personalidades e memórias distintas. Quando o menino se torna homem, quando esse bom garoto, moldado por um ambiente de crescimento sombrio, adquire traços cruéis, egoístas, astutos e grosseiros, ele sobe a bordo de um mecha de doze metros de altura e, com olhar gélido, contempla do alto os espetáculos vis e sujos encenados no domínio estelar da Federação. Que tipo de fenda abrirão, no céu aparentemente inabalável da Federação, um homem dilacerado por contradições internas e uma besta de múltiplas personalidades? Todas as respostas estão em “O Peregrino Estelar”!
Vista do alto, a partir do céu, o domínio de Kômia revela-se não apenas grandioso, mas também carregado de dramaticidade. Uma gigantesca e inerte planeta é rodeada por 436 satélites resplandecentes, como uma mãe envelhecida, cercada por inúmeros filhos jovens cheios de vigor. Este é o famoso aglomerado de satélites de Kômia, o mais célebre bairro de favelas da Federação.
Embora o planeta Kômia esteja a uma distância razoável de sua estrela, apresentando uma faixa de temperatura adequada, não possui água nem atmosfera, tornando-se incapaz de abrigar vida. Além disso, seu enorme tamanho e massa fazem com que a gravidade superficial seja 2,7 vezes maior que a do planeta natal, dificultando qualquer atividade e praticamente eliminando seu valor de utilidade.
Entretanto, entre seus 436 satélites, 42 apresentam condições naturais semelhantes ao planeta natal. Estes pertencem à Federação há quase duzentos anos. Tornaram-se favelas famosas justamente por suas condições naturais precárias. Imagine uma sombra colossal projetada por Kômia: cada satélite passa ao menos metade do ciclo orbital mergulhado na escuridão, sem receber luz solar.
Esse ambiente peculiar não apenas proporciona dias e noites de duração incomum, mas também traz diferenças extremas de temperatura. Em um período de trinta a cinquenta dias, um pequeno satélite revive as quatro estações, o que representa um desafio enorme para agricultura e pecuária. Por serem pequenos em volume, a colaboração entre satélites exige viagens interestelares frequentes, tornando-os lugares pobres e caóticos.
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