Durante o ritual de invocação demoníaca, Eivas finalmente recuperou as memórias de sua vida anterior. Aquilo deveria ser um jogo online lançado e operado por sua própria empresa há seis anos. Agora, seu pai adotivo era justamente o líder da organização vilanesca na versão mais recente. E ele próprio teria sua identidade revelada dali a seis anos, hesitando entre trair ou não o lado dos protagonistas. No fim, ao decidir proteger um dos personagens jogadores de um golpe fatal, acabaria morto pelo irmão mais velho — um verdadeiro bastião da justiça — em uma cena de transição, sem sequer ter chance de entrar na fase principal. Entretanto, o problema não era tão grande assim. Afinal, Eivas também conhecia muitos segredos das rotas de ascensão exclusivas dos personagens jogadores e as regras ocultas de cada caminho, consideradas saberes proibidos. Com isso, acreditava ser capaz de mudar seu destino infeliz... Restava, então, apenas uma dúvida. “Pela trama original, antes que esse maldito ritual começasse, o protagonista não deveria ter vindo me salvar?” Como sacrifício amarrado ao altar do ritual, Eivas mergulhou em profunda reflexão. —————— Também conhecido como "Quando um Jogador de Skip de História Entra no Mundo do Jogo". Palavras-chave: fantasia vitoriana, estilo âmbar. Autor de obras completas, como "Jogador da Suprema Justiça", "A Torre Subvertida" e "Sangue de Mercúrio", totalizando quase dez milhões de palavras — garantia de qualidade!
— Sim, olá... Sou a inspetora Hayna, marquei a visita ontem... Vim investigar o caso do ataque ao senhor Aiwass Moriarty.
Uma jovem de cerca de vinte anos, vestindo um uniforme azul e branco, estava ansiosa e desajeitada diante dos portões de uma mansão, abraçando seu chapéu de abas largas contra o peito.
Seus cabelos castanho-escuros, encaracolados, estavam presos em um rabo de cavalo; o nariz era altivo e, em seus olhos azul-lago, havia a inquietação de quem teme ter cometido um erro grave.
—... Me desculpe, houve uma reunião de emergência na Inspetoria... Ontem houve outra explosão em um armazém no Distrito Rainha Branca, foram localizados vestígios de essência de fogo, suspeita-se do envolvimento de um estudioso das artes demoníacas — creio que possa ser o mesmo foragido que atacou o senhor Aiwass anteontem! — Hayna ia diminuindo o tom de voz, cada vez mais tímida. — Por isso...
— Então resolveu, por conta própria, participar de uma reunião que nem exigia sua presença e, consequentemente, atrasou-se... em duas horas e vinte e três minutos?
A voz grave e idosa ressoou do outro lado do portão de ferro, arrastando as sílabas num sotaque próprio dos elfos da capital.
Ele fechou o relógio de bolso cravejado de pedras preciosas com um clique, guardando-o junto ao peito, e fitou Hayna com seriedade.
Em frente a ela estava um elfo idoso, alto e magro, vestido como um mordomo.
A pele enrugada de seu rosto recordava casca de árvore; nos olhos, um verde profundo, mais próximo do olhar de um lobo que de uma lagoa.
O velho elf