Ao atravessar para o mundo de Sonho do Pavilhão Vermelho, tornei-me Lian, da Casa Rong do clã Jia. Para evitar a ruína futura da família e do país, fui obrigado a adotar uma postura implacável, tornando-me o mais temido entre todos. Castiguei servos poderosos: confisquei as propriedades da família Lai, da família Zhou Rui, da família Wu Xindeng... Executei oficiais corruptos: decretei a morte de Sun Shaozu, Jia Yucun, e até mesmo do Rei Zhongshun... Meu intuito inicial era apenas reformar e purificar a Casa Jia, mas acabei renovando todo o império. E tudo começou com o castigo àqueles que ousaram levantar a mão contra Xifeng Wang.
Ano terceiro do reinado Chengxuan da Grande Kang, inverno.
Capital Imperial.
Na rua onde se localizavam as duas grandes residências dos Ning e dos Rong.
Jia Lian estava montado em seu cavalo, fitando as três portas com cabeças de feras do lado norte da rua, sobre as quais se via a placa com os grandes caracteres: “Palácio Rong, Construção Imperial”.
Ele fora, outrora, um estudante de pós-graduação do mundo moderno, mas inexplicavelmente, após um cochilo no laboratório, atravessara para o universo de Sonho do Pavilhão Vermelho.
Tornara-se o único filho legítimo do ramo principal da Residência Rong — Jia Lian.
Além disso, já estava neste mundo havia algum tempo.
Segundo a linha temporal da obra original, Jia Lian acabara de retornar de Yangzhou, onde acompanhara o funeral do tio materno Lin Ruhai, regressando à capital com Lin Daiyu.
— Muito obrigada, irmão Lian, pelas histórias! Gostei imensamente — disse Lin Daiyu, aproveitando-se do momento em que trocavam de liteira ao entrarem na mansão para sussurrar-lhe.
Jia Lian sorriu e respondeu:
— Que bom que gostou. Apenas não conte a ninguém que fui eu quem lhe narrou.
— Daiyu compreende perfeitamente!
Lin Daiyu sorriu levemente.
— Volte para casa, tenho assuntos a tratar e não poderei acompanhá-la até dentro — disse Jia Lian, montando novamente, e perguntou ao seu criado de confiança: — Xing, minha segunda esposa ainda está no Mosteiro Mantou?
— Sim, senhor. Já pedi aos criados dela que me avisem assim que ela sair de lá. Por ora, ainda perman